Ainda há quem repita, quase como um mantra, que “não existem provas” contra Rodrigo Manga e sua esposa, Sirlange Maganhato. Esse discurso, no entanto, só se sustenta enquanto se ignora deliberadamente o conteúdo dos autos, os relatórios da Polícia Federal, a quebra de sigilos e o rastreamento financeiro que expõe, com riqueza de detalhes, como o dinheiro circulou e foi ocultado.

Prova não é boato. Prova é documento, é fluxo bancário, é contradição registrada em depoimento, é mensagem extraída de celular após autorização judicial. E é exatamente isso que existe neste caso.
Uma agência sem estrutura e um milhão circulando
A imagem analisada nos autos mostra a engrenagem central do esquema: a empresa 2M Comunicação, de propriedade de Sirlange Maganhato. No período investigado, R$ 1,2 milhão passou pela empresa. Apenas Marcos Mott, amigo de infância de Rodrigo Manga, repassou R$ 448.500,00.
O problema é simples e objetivo:
a 2M Comunicação não possui funcionários, não possui estrutura física compatível e não executava, de fato, os serviços que dizia prestar.
A própria SIM PARK, empresa ligada a Mott, não pagava a 2M diretamente pelos serviços de marketing. Os pagamentos operacionais iam para Daniele Paiffer (não investigada), que recebia R$ 2.500,00 mensais para executar tarefas básicas.
Mesmo assim, na oitiva à Polícia Federal, Marcos Mott afirmou que quem cuidava das redes sociais e do marketing era Sirlange.
As contradições que viram prova
A quebra de sigilo telefônico desmonta essa versão.
As mensagens mostram que quem enviava conteúdos, aprovava campanhas, definia cronogramas e planejava mídia era Daiane, a prestadora que recebia o valor mensal modesto. Não a 2M. Não Sirlange.
Ou seja:
— o serviço era feito por quem recebia pouco;
— o dinheiro grande circulava por quem não executava.
Isso não é detalhe. É o padrão clássico de lavagem de dinheiro via empresa de fachada.
Relações negadas que os registros confirmam
Outro ponto revelador está na relação entre Marcos Mott e Josivaldo, cunhado de Rodrigo Manga.
Em depoimento, Mott afirmou não ter contato com Josivaldo.
Os registros telefônicos mostram 116 ligações entre ambos.
Há mais:
— encontro no Condomínio Lago Azul, onde Mott reside;
— outro encontro na Geleia Real, nas proximidades do mesmo condomínio.
Negar vínculo diante de registros objetivos não é defesa. É contradição documentada.
A igreja como elo financeiro
Josivaldo e Simone Frate, irmã de Sirlange, são pastores da Igreja Cruzada dos Milagres dos Filhos de Deus, que também contratou a 2M Comunicação, no valor de R$ 780.000,00.
Aqui surge outro problema central:
a igreja possuía estrutura própria de comunicação.
A Polícia Federal encontrou planilhas internas com todos os prestadores de serviço — videomaker, gestão de redes sociais, edição, entre outros. Ou seja, não havia necessidade real da contratação milionária da 2M.
Mais uma vez, dinheiro alto, serviço inexistente.
Pagamentos cruzados e despesas pessoais
Os documentos também apontam que Rodrigo Manga teria ordenado pagamentos via PIX para Simone Frate, que, por sua vez, arcava com:
- mensalidade da faculdade da filha de Rodrigo Manga;
- despesas com três cavalos;
- outros gastos pessoais do casal Manga e Sirlange.
Esses valores não constavam nos contratos formais de prestação de serviço. Eram pagamentos paralelos, fora da contabilidade oficial.
Esse tipo de triangulação — empresa, igreja, familiares e despesas pessoais — é um dos elementos mais observados em investigações de lavagem de dinheiro.
Seguir o dinheiro é seguir a verdade
A Polícia Federal fez o que sempre faz em investigações sérias: seguiu o dinheiro. E o que aparece não é um episódio isolado, mas um padrão reiterado, documentado e coerente.
Empresas sem estrutura, serviços inexistentes, contratos milionários, pagamentos cruzados, contradições em depoimentos e vínculos familiares diretos com o poder público formam um conjunto que dificilmente pode ser tratado como coincidência.
Dizer que “não há provas” é, no mínimo, não conhecer os autos.
Ou conhecê-los e optar por ignorá-los.
Se este material não fosse robusto, não haveria quebras de sigilo, não haveria rastreamento financeiro, não haveria tantas inconsistências formalizadas em documentos oficiais.
A Justiça ainda decidirá os desfechos. Mas uma coisa já está clara:
as provas existem, são consistentes e apontam um caminho inequívoco do dinheiro — um caminho que passa pela empresa de Sirlange Maganhato.
Negar isso não é defesa. É recusa em olhar os fatos.



