O início do ano letivo de 2026 trouxe à tona problemas que vão além da simples zeladoria e escancaram fragilidades na gestão pública municipal. Escolas da rede apresentaram mato alto, ausência de roçagem adequada e relatos da presença de insetos e animais peçonhentos, criando um ambiente de risco para alunos, professores e demais profissionais da educação.
Diante desse cenário, o vereador Ítalo Moreira protocolou um requerimento formal cobrando explicações da Prefeitura sobre as falhas na manutenção das unidades escolares. A iniciativa busca esclarecer por que serviços essenciais não foram executados antes do retorno das aulas, apesar da previsibilidade do calendário escolar.
O documento destaca que a situação configura risco sanitário e evidencia a quebra de um planejamento preventivo mínimo, obrigação do poder público. Segundo o requerimento, a exposição de crianças e trabalhadores a vetores de doenças revela não apenas descuido operacional, mas possível deficiência na fiscalização dos contratos de manutenção.
Um dos eixos centrais da investigação são os contratos milionários de manutenção e serviços paisagísticos firmados pelo município. Ítalo Moreira questiona a execução efetiva desses contratos, a fiscalização realizada, os serviços entregues e a compatibilidade entre os valores pagos e os resultados observados nas escolas.
O parlamentar solicita informações detalhadas sobre cronogramas de execução, medições, empenhos, pagamentos, critérios de priorização das unidades e eventuais impactos de contingenciamentos orçamentários. O requerimento também estabelece uma conexão direta entre ajustes fiscais e a queda da eficiência operacional, levantando dúvidas sobre escolhas administrativas que podem ter comprometido serviços básicos.
Outro ponto levantado é o chamado custo oculto da falha na manutenção. Segundo o documento, a ausência de ações preventivas tende a gerar despesas adicionais, como pagamento de horas extras, intervenções emergenciais, ações de vigilância em saúde e realocação de recursos, custos que poderiam ser evitados com planejamento adequado.
A cobrança inclui ainda a apresentação de um plano de contingência, matriz de riscos e protocolos claros de comunicação com a comunidade escolar. A fiscalização proposta não se limita a apontar erros, mas exige método, prevenção e responsabilidade administrativa.
Ao confrontar gastos elevados com entregas insuficientes, o requerimento desloca o debate do campo retórico para o da eficiência da gestão pública. Para o vereador, quando a escola adoece, o que falha é o serviço público. E é justamente nessa fronteira entre orçamento aprovado e realidade vivida pela população que a fiscalização se torna um instrumento direto de proteção ao cidadão.



