A crise política em Sorocaba ganha mais um capítulo explosivo — e, desta vez, envolvendo diretamente a articulação de bastidores dentro da sede partidária.
Segundo informações obtidas pela imprensa e confirmadas por dois participantes, o aliado de Rodrigo Manga, conhecido como “Rodrigo Alcantra”, criou um grupo de WhatsApp reunindo os 21 exonerados pelo prefeito interino Fernando Martins (PSD). A reunião do grupo não ficou apenas no ambiente virtual: ela de fato aconteceu — e dentro da sede do Partido Republicanos, com a presença de Rodrigo Manga e Sirlange Maganhato.
O movimento levanta questionamentos políticos e jurídicos delicados.
Reunião, provocação e tensão
Durante o encontro, ocorreu a fala que já havia sido amplamente divulgada pelo Portal Porque: Sirlange teria questionado em tom provocativo se alguém “tem saudades do chicote da Sirlange”, em referência à repercussão da matéria publicada pelo Sorocabano.com, que apontou risco real de prisão antecipada de Rodrigo Manga caso haja descumprimento de medidas ou interferência indireta.
O clima não era apenas de reencontro político. Era de reorganização.
Os 21 exonerados, afastados pelo prefeito interino, passam a se reunir sob a liderança de um aliado direto do prefeito afastado, justamente no momento em que cresce o debate sobre Comissão Processante, pressão política e possíveis desdobramentos judiciais.
A pergunta inevitável é: qual o objetivo prático dessa articulação?
Ponte política em meio a processo judicial
Rodrigo Manga é réu em processo federal. Está afastado por decisão judicial. Existe, segundo decisões já divulgadas, uma preocupação do Judiciário com interferências na estrutura administrativa e política.
Quando aliados organizam reuniões com exonerados, dentro da sede do partido, em meio à escalada de mobilizações na Câmara e pressão institucional, o cenário deixa de ser apenas político e passa a ter contornos sensíveis.
Ainda mais quando o contexto envolve:
- Mobilização coordenada de servidores e ex-servidores
- Pressão pública contra abertura de Comissão Processante
- Denúncias federais envolvendo desvio de recursos da saúde
- Investigação sobre núcleo político da gestão
Não se trata de criminalizar reunião partidária — algo legítimo na democracia. Mas o momento, os personagens e a finalidade política tornam o episódio explosivo.
O sumiço do grupo
Após a repercussão, Rodrigo Alcantra removeu todos os membros do grupo de WhatsApp. O grupo, que reunia os 21 exonerados, simplesmente deixou de existir.
A atitude levanta ainda mais questionamentos.
Por que apagar o grupo?
Por que retirar todos os membros?
Qual o receio?
Alcantra, que já foi candidato a vereador com Danilo Balas — opositor de Manga na eleição que o reelegeu — acabou retornando ao núcleo do poder após a derrota nas urnas. Questionado sobre o caso, ele ligou afirmando que poderia marcar um café e que “não é a favor de prints assim”.
A frase chama atenção. Em política, quem teme print geralmente teme exposição.
Sorocaba no meio do furacão
Enquanto grupos se organizam, exonerados se reúnem e bastidores fervem, a cidade enfrenta:
- Déficit bilionário estimado
- Problemas na saúde
- Falta de medicamentos
- Instabilidade administrativa
- Ambiente político inflamado
A prioridade deveria ser a gestão da cidade. Mas o que se desenha é um movimento de recomposição de força política.
E isso acontece exatamente quando cresce a pressão institucional sobre o prefeito afastado.
O risco que ronda o caso
Nos bastidores jurídicos, a avaliação é clara: qualquer sinal de articulação que possa ser interpretado como tentativa de pressão institucional ou interferência indireta pode agravar o cenário.
Rodrigo Manga não enfrenta apenas oposição política.
Ele enfrenta um processo federal.
E em processos dessa natureza, a linha entre articulação política e risco jurídico pode ser muito mais fina do que parece.
Sorocaba vive um momento decisivo.
A cidade observa.
A Câmara observa.
E, principalmente, a Justiça observa.



