Sorocaba vive um cenário preocupante de ruído político deliberado, alimentado por boatos que circulam nos bastidores do poder. A narrativa de que o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos) retornaria à Prefeitura no dia 19 de fevereiro de 2025 vem sendo repetida de forma insistente por pessoas ligadas ao seu entorno político, sem qualquer respaldo público, judicial ou institucional conhecido.
Não se trata de um comentário isolado ou especulação espontânea. Há indícios de uma ação coordenada, com reuniões políticas, discursos alinhados e disseminação estratégica da mesma data e da mesma promessa: a de que Manga “voltaria em breve”. Esse tipo de movimentação não é inocente. Ela cria expectativa, pressiona o ambiente político-administrativo e contamina a percepção pública sobre decisões que deveriam ser exclusivamente técnicas e jurídicas.
O ponto mais grave é que essas informações estariam sendo reforçadas após encontros realizados na sede do Republicanos, com a presença de ex-servidores demitidos, diretamente afetados pela instabilidade administrativa. Ao alimentar a ideia de um retorno iminente, cria-se não apenas confusão, mas também um instrumento de pressão política.
Diante da ausência total de uma decisão judicial oficial que confirme essa suposta data, a pergunta que se impõe é inevitável:
quem está espalhando essa informação, com qual objetivo e com base em quê?
Quando boatos passam a ser utilizados como ferramenta política, e quando há a sugestão de contatos, articulações e “formas” para viabilizar um retorno fora do fluxo institucional transparente, o debate deixa de ser apenas político e passa a tocar em algo mais sério: a suspeita de tráfico de influência.
Não se acusa aqui um crime consumado. Mas os indícios e o contexto exigem esclarecimentos imediatos. Silêncio, nesse caso, não é neutralidade — é conivência com a confusão.
Rodrigo Manga deve explicações claras à população de Sorocaba:
- Existe ou não uma decisão judicial marcada para 19 de fevereiro de 2025?
- Se existe, por que não foi tornada pública?
- Qual o papel do Republicanos na propagação dessa narrativa?
- Há ou não articulações políticas tentando influenciar decisões administrativas ou judiciais?
A cidade não pode ser governada por boatos de bastidor nem por expectativas fabricadas em salas partidárias. Decisões judiciais não se anunciam por rumor, e retorno ao poder não se constrói por pressão política disfarçada de “confiança”.
Sorocaba exige ser tratada com seriedade. Transparência não é favor — é obrigação. E qualquer tentativa de instrumentalizar a instabilidade institucional para ganho político precisa ser exposta, questionada e apurada.
O silêncio já falou demais. Agora, é hora de respostas.



