HomeDestaquesEsquerda e direita se unem em pedidos de cassação de Rodrigo Manga

Esquerda e direita se unem em pedidos de cassação de Rodrigo Manga

O prefeito afastado de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), enfrenta uma situação inédita no cenário político local: pedidos de cassação vindos tanto da esquerda quanto da direita, o que desmonta o argumento de perseguição ideológica e expõe a gravidade das acusações que pesam contra o chefe do Executivo.

Manga foi afastado por decisão da Justiça Federal, no âmbito de investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal, que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e peculato, além de irregularidades na gestão de recursos públicos, especialmente nas áreas da saúde e da educação.

O primeiro pedido de comissão processante foi protocolado pelo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região (Smetal) e ex-candidato à Prefeitura, Leandro Soares (PT). O requerimento aponta um rombo estimado em R$ 700 milhões nas contas públicas, com base em dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), e lista contratos e ações administrativas sob suspeita, como a compra de kits de robótica, lousas digitais, o prédio da Secretaria da Educação (Sedu) e contratos da saúde investigados pela Polícia Federal.

Segundo pedido expõe receio de blindagem política

O segundo pedido de cassação foi apresentado pelo cabo da Polícia Militar Lucas Frate (PL) e tem um peso político ainda mais simbólico. Na justificativa do documento, Frate afirma temer que vereadores rejeitem a abertura da comissão não pelo mérito das acusações, mas sob o argumento de que o primeiro pedido partiu do Partido dos Trabalhadores.

O parlamentar destaca que a tentativa de rotular o processo como “briga ideológica” ignora fatos objetivos: há investigações federais em andamento, acusação formal de lavagem de dinheiro, indícios de peculato, além de um pedido explícito de perda de mandato feito pelo Ministério Público. Segundo ele, fechar os olhos para esse cenário seria transformar a Câmara em um escudo político, e não em um órgão fiscalizador.

Ao partir de um representante do PL, partido situado no campo oposto ao PT, o segundo pedido reforça que a discussão não é sobre esquerda ou direita, mas sobre legalidade, responsabilidade fiscal e moralidade administrativa.

Câmara sob pressão

Com dois pedidos protocolados, vindos de campos ideológicos distintos, cresce a pressão sobre os vereadores de Sorocaba. A decisão de aceitar ou rejeitar a comissão processante será interpretada pela população como um teste de independência do Legislativo diante de acusações graves e documentadas.

Caso os pedidos sejam considerados juridicamente viáveis e levados ao plenário, a abertura da comissão dependerá de maioria simples dos vereadores presentes. A expectativa é de que a votação revele se a Câmara irá cumprir seu papel constitucional de fiscalização ou se optará por proteger politicamente um prefeito afastado pela Justiça Federal.

O desfecho do caso pode marcar um divisor de águas na política sorocabana, deixando claro se a cidade está disposta a enfrentar denúncias de corrupção com seriedade — independentemente do partido envolvido.

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