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Rodrigo Manga: flores e perfurme para a cidade, dívidas de R$ 1 bilhão para o povo

Citado em investigações como possível líder de uma organização criminosa, o prefeito retorna ao cargo tentando reconstruir sua imagem — não com respostas, mas com estética. E é justamente aí que mora o problema: enquanto sua vida pessoal segue aparentemente em ordem — contas pagas, compromissos honrados, conforto preservado — a cidade que ele governa não pode dizer o mesmo.

Há poucos dias, durante seu afastamento, o vice-prefeito Fernando Martins expôs um cenário alarmante: um déficit de aproximadamente R$ 700 milhões. Um rombo que justificou medidas duras contra a população — aumento de tarifa, cobrança de estudantes, risco de paralisação de serviços essenciais como a coleta de lixo. Um retrato de colapso administrativo.

Mas bastou o retorno de Manga para o discurso mudar. De repente, fala-se em passe livre novamente. De repente, equipes de zeladoria aparecem, a cidade começa a ser “maquiada”, como se uma camada de tinta pudesse esconder rachaduras estruturais profundas.

E é aqui que a metáfora se impõe — incômoda, mas precisa.

A gestão de Rodrigo Manga se parece com o marido que trai. Aquele que, após ser descoberto, não assume o erro nem reorganiza a vida da família. Em vez disso, aparece com flores, compra perfume, leva para jantar. Gesto bonito? Talvez. Mas superficial.

Porque, ao mesmo tempo, esse mesmo homem deixou de pagar a conta de luz. A água está atrasada. O plano de saúde dos filhos foi cancelado. A escola está em débito. A casa, por dentro, está desmoronando — mas ele insiste em arrumar a sala para visitas.

É exatamente isso que Sorocaba está vivendo.

A zeladoria urbana é necessária? Sem dúvida. Mas ela não pode ser usada como cortina de fumaça para esconder um déficit que caminha para R$ 1 bilhão. Não pode ser o “perfume” jogado sobre uma administração que não consegue honrar compromissos básicos.

O problema não é varrer a rua. O problema é varrer a realidade para debaixo do tapete.

A população não precisa de gestos cosméticos. Precisa de responsabilidade fiscal, transparência e, acima de tudo, coerência. Como é possível sair de um cenário de colapso financeiro — com risco de parar coleta de lixo — para promessas de gratuidade no transporte em questão de dias? A conta simplesmente não fecha.

E quando a conta não fecha, alguém paga.

E, como sempre, não é quem está no topo.

Sorocaba hoje vive uma inversão perigosa: enquanto o cidadão sente o peso de tarifas, cortes e insegurança sobre o futuro, o governo investe em aparência. É o teatro da normalidade encenado sobre um orçamento em crise.

Rodrigo Manga não precisa provar que sabe fazer zeladoria. Precisa explicar como deixou a cidade chegar a esse ponto — e por que, mesmo diante disso, prefere investir em imagem ao invés de estrutura.

Porque, no fim, flores murcham. Perfume evapora. Jantar acaba.

Mas as contas continuam chegando.

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