Na manhã desta quarta-feira (29), os corredores da Câmara Municipal de Sorocaba foram palco de uma daquelas frases que oscilam entre o delírio e o deboche. O vereador Cristiano Passos (Republicanos), conhecido por ser um dos mais fiéis escudeiros do prefeito Rodrigo Manga, soltou a pérola de que a Casa de Leis sorocabana é “grande”.
Resta saber a qual régua o parlamentar se refere. Se grandeza fosse medida por metros quadrados ou pela suntuosidade de um prédio que mais parece um elefante branco de má ocupação, ele teria razão. Mas, na política, grandeza se mede pela espinha dorsal, e a que vemos hoje no Legislativo local é mais curva que o traçado de um buraco fake.
Uma Grandeza de Mosca
A ironia de Passos não passou despercebida, mas precisa de tradução. A “grandeza” que ele ostenta parece ser a de uma mosca varejeira: aquela que ignora o banquete da democracia para rodear as excrecências de uma gestão cercada por escândalos.
Enquanto o vereador enche o peito para falar da instituição, suas mãos — e as de boa parte da base governista — estão ocupadas demais apertando o botão do “arquivar”. Cristiano Passos foi um dos que votaram contra as Comissões Processantes que poderiam jogar luz sobre o currículo tenebroso de Rodrigo Maganhato.
Onde está a “Grande” Fiscalização?
Se a Câmara é tão grande, por que ela se apequena diante de crimes tão graves? A lista de omissões da base aliada é extensa e vergonhosa:
- Kits de Robótica: Onde a “grandeza” se calou diante do mau uso do dinheiro público.
- Prédio Superfaturado: Uma transação que daria inveja a qualquer especulador imobiliário sem escrúpulos.
- Operação Copia e Cola: Investigada como uma verdadeira organização criminosa infiltrada no Paço.
- Lavagem de Dinheiro: As graves suspeitas envolvendo a empresa da primeira-dama e o uso de laranjas da família.
- O “Buraco Fake”: O ápice do ridículo, onde máquina pública e servidores foram usados para encenar uma solução para um problema inexistente, tudo em nome do engajamento digital.
Blindagem: A única função gigante
A verdade é que a Câmara de Sorocaba só é grande em um aspecto: na blindagem. O Legislativo transformou-se em um puxadinho do gabinete do prefeito, uma redoma de vidro que protege o Executivo de qualquer responsabilidade legal.
A arrogância e a prepotência de vereadores como Cristiano Passos, que tentam vender uma imagem de imponência institucional, colidem de frente com a realidade das ruas. Para quem olha de fora, a Câmara não é grande; ela é estática. É um monumento à conveniência política onde a ética foi reduzida a pó para não incomodar o “chefe”.
Sorocaba assiste, atônita, a um teatro onde os atores acreditam habitar um palácio, mas se comportam como súditos de um reino de aparências. A grandeza de Cristiano Passos não passa de uma ilusão de ótica de quem confunde poder temporário com estatura moral.
Se a Câmara é grande, vereador, ela é grande apenas na dívida que acumulou com o povo sorocabano. O resto é apenas o zumbido de quem prefere o lixo à transparência.



